Sobre como eu fui me tornando uma anta...
Eu que era Phodo, o Rei dos 7 Bares
Mas que mal há nisso?
Não era isso que você queria?
Vivo agora varrendo meus restos, recolhendo caspas, escolhendo o torresmo no meio da polenta com a colher de pau.
Pela manhã, assim que abri a porta da kit e saí para a área comum do condomínio, senti um cheiro suave de desenho animado (ou de geladeira nova) no ar.
O gordo do 309 deve estar estreando algum sabonete novo - pensei novamente.
O próximo sou eu - pensei...
Ar condicionado. Escadas rolantes. Idas e vindas
Vidas passadas a limpo. E um passado perdido na poeira.
Usando meus sentidos, nunca chegarei ao Olimpo. Preciso correr.
Cegando os meus sentidos
Cagando em nuvens
Nunca me senti livre, íntegro
Eu nunca estive aqui
Apenas nas ruas é que eu me sinto bem...
"Sr. Phodo! O senhor é muito louco!"
Agora estou me transformando numa daquelas velhinhas que passam o dia inteiro trancadas em casa, olhando as crianças jogando bola na rua através da vidraça, arrumando as toalhinhas... Regando as plantinhas; )
Eu que era Phodo, o Rei dos 7 Bares
Mas que mal há nisso?
Não era isso que você queria?
Vivo agora varrendo meus restos, recolhendo caspas, escolhendo o torresmo no meio da polenta com a colher de pau.
Pela manhã, assim que abri a porta da kit e saí para a área comum do condomínio, senti um cheiro suave de desenho animado (ou de geladeira nova) no ar.
O gordo do 309 deve estar estreando algum sabonete novo - pensei novamente.
Sempre que me dirigia até a lixeira para deixar ali algumas sobras de inhame, passava em frente seu apartamento, quando então podia ouvi-lo cantando desafinadamente aquelas músicas do Tim Maia, e sentir todo o calor que saía de seu chuveiro, em forma de vapor, através da janela do seu banheiro.
A cabeça cheia de vento - em alguns momentos eu não sou eu. É como se eu fosse outra pessoa. Alguém que me é desconhecido, mas que não me hostiliza. Apenas me aceita. Mas que nada tem a ver comigo.
O próximo sou eu - pensei...
Ar condicionado. Escadas rolantes. Idas e vindas
Vidas passadas a limpo. E um passado perdido na poeira.
Usando meus sentidos, nunca chegarei ao Olimpo. Preciso correr.
Cegando os meus sentidos
Cagando em nuvens
Nunca me senti livre, íntegro
Eu nunca estive aqui
Apenas nas ruas é que eu me sinto bem...
Mais tarde, revirando um cesto cheio de miniaturas na Lojas Americanas, topei com um garotinho de uns nove anos de idade, que, se desvencilhando das garras afiadas de sua gostosa mamãe, e vendo em minhas mãos um pequeno Chevelle SS '69, igualzinho ao que segurava na dele, aproximou-se de mim, e disse com espanto e admiração nos olhos, com uma vozinha que me pareceu vir do fundo do seu coração:
"Sr. Phodo! O senhor é muito louco!"
