Meus olhos estão caindo. Meus dentes estão caindo. Minha cabeça está acelerando. Cansei de ficar faxinando a kit, lavando roupa, varrendo o chão, tirando pó dos quadros, matando traças.
Nunca sei se estou realmente me divertindo, ou apenas gastando meu precioso tempo bestamente.
Preciso urgentemente voar, comer alguém, chupar seu sangue.
Não sou eu
Mas tu
Que agora estás aqui
Comendo meu rabo
Me enchendo de palavras
Tornando tudo raro. Credo!
O dia amanhece...
Então, quando eu já estava bem próximo da realidade, a nave simplesmente explodiu.
Ou foi a realidade que explodiu?
Há um ser que eu quero ser
Um ser, que eu penso ser eu
Um ser que eu quero que pareça ser eu
Um ser que eu idealizo
E há um outro ser, que às vezes me surpreende (!) quando se comporta, ou tem pensamentos,
que o ser que eu penso ser abomina...
Por serem pensamentos maus
Mas que, contudo, noutras vezes, também me surpreende (?)
sendo assim melhor do que eu esperava.
Por isso, nunca sei ao certo
quem de fato vem a ser um, o Sr. Bommel, e o outro, o Sr. Phodo.
Tempo de viver tudo
Às vezes eu quero falar, e a minha boca se fecha
Então eu voo como uma flecha e atinjo o outro lado do absurdo
Tempo de ficar quieto, mudo.
Noite Vazia - durante a noite, você que me caça sob o cobertor, na escuridão aconchegante do seu quarto de boneca. Surfando em ondas cintilantes de palavras baratas, frases pensadas e vazias. Num mar noturno de ondas-nuvens sem significado, sem dor, sem propósito algum, apenas para causar algum furor. Como quem caça pirilampos, para prendê-los em sua garrafinha de iluminar o mundo. Afaste-se! As trevas te aguarda.
Pensa que é fácil ligar o roteador e explodir? Num céu estrelado, limpar o nariz em rascunhos amassados e tossir, à luz fria do luar? Eu já te disse quase tudo, mas você ainda não entendeu nada. O que eu posso fazer então?
Sinto que estão todos aqui agora. Podemos começar?
